Santo Estanislau de Jesus e Maria Papczyński
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Carta circular do Superior Geral
por ocasião do anúncio da beatificação do Venerável Servo de Deus
Padre Estanislau Papczynski


Roma, 15 de fevereiro de 2007
Prot. n. 40/2007


Caros Coirmãos!
Com gratidão diante de Deus e de Maria Imaculada e com enorme alegria, apresso-me em informar-Lhes que o Santo Padre Bento XVI já tomou a sua decisão a respeito da beatificação do nosso Padre Fundador, Estanislau de Jesus e Maria Papczynski. A beatificação se realizará no dia 16 de setembro na Polônia, no nosso santuário mariano em Lichen. O Santo Padre será representado por seu Secretário de Estado, Sua Eminência o Cardeal Tarcisio Bertone. Através da presente carta convido-os a participarem dessa solenidade. O meu desejo é que o maior número possível de filhos espirituais do Padre Estanislau possam dela participar, a fim de que todos possamos dessa forma haurir forças espirituais para trilhar o caminho da nossa vocação. Adquire um significado especial o fato de que a beatificação do nosso Fundador ocorre no ano do 20º aniversário da beatificação do Renovador da nossa Congregação, o beato Jorge Matulewicz-Matulaitis, que salvou a obra do Padre Estanislau do extermínio e animou o seu carisma.

O significado da beatificação do nosso Fundador

Temos a profunda consciência de que a iminente beatificação do Pe. Papczynski é o jubiloso coroamento dos empenhos e dos sonhos de gerações de marianos e de muitas pessoas ligadas com o nosso Fundador. É também a confirmação do nosso caminho de vida, que é um modelo continuamente atual não apenas para nós, marianos, mas também para aqueles que extraem da espiritualidade do Padre Estanislau a inspiração para a busca da santidade. A beatificação é um acontecimento eclesiástico-litúrgico, e ao mesmo tempo uma especial distinção do Servo de Deus, a fim de apresentar a todos a sua vida evangélica em Deus e com Deus. A beatificação é o sinal de alguém que atingiu a “plena alegria” em Cristo (Jo 15, 11) e que fixou residência na “casa do Pai”. A beatificação lembra a vida de fé, esperança e amor do Servo de Deus, que no poder da graça identificou perfeitamente a sua vontade, a sua mente e o seu coração com Deus, que deseja que todos “sejamos santos e irrepreensíveis diante dele no amor” (cf. Ef 1, 4). A beatificação é a prova da transformação pascal que se realiza na vida do cristão mergulhado em Cristo, que desperta a vida onde existe a morte, a força no lugar da fraqueza, a alegria no lugar do sofrimento, o perdão no lugar da injustiça, o bem no lugar do mal, o amor no lugar do ódio, a ressurreição no lugar da cruz. E tudo isso graças ao amor, ao poder e à sabedoria de Deus incessantemente revelada por Cristo no Espírito Santo, na comunidade da Igreja e para a sua construção – em última análise para o nosso bem interminável.

Na nossa tradição, a beatificação do Pe. Estanislau tem sido sempre percebida como um sinal especial de bênção divina para a Congregação. O Servo de Deus Pe. Casimiro Wyszynski lembra: Mas, logo que começamos a nos empenhar pela beatificação do nosso Pai, Deus nos abençoa de tal forma que é preciso ir adiante, e teremos mais ainda. Numa outra ocasião o Pe. Casimiro assim escreve a respeito do processo do Fundador ao superior geral da Ordem, o Pe. Caetano Wetycki: Nisso não podemos esmorecer, mas, pelo contrário, em todas as dificuldades devemos escolhê-lo como nosso Patrono, e Deus, que é glorificado em Seus Servos, não nos recusará a graça. (...) Para a honra da Imaculada Conceição da Santíssima Virgem Maria, mais pode resultar da promoção desse Servo de Deus do que da promoção de outros devotos...
A beatificação do fundador de uma comunidade religiosa é um extraordinário tempo de graça, reflexão e fortalecimento do zelo da comunidade por ele instituída, tanto na dimensão individual como na comunitária.

A elevação do Pe. Estanislau aos altares é um convite a que nos submetamos à mesma ação do Espírito Divino que percebemos na vida do nosso Fundador. A beatificação é então, acima de tudo, o apelo a um interesse mais profundo pelo carisma confiado à Congregação pelo Fundador e pela forma de vida cotidiana que ele nos impõe. Com efeito, temos a consciência de que em decorrência da graça da vocação esse carisma tornou-se o carisma pessoal de todo mariano.

Temos, portanto, caros Coirmãos, uma perfeita ocasião para um conhecimento mais profundo da espiritualidade do Fundador, para uma nova leitura da sua vida e da sua ação, para uma tentativa de descobrir o mistério da sua vida com Deus, de fascinação pelo mistério da Imaculada Conceição; de aprender com ele como interpretar os sinais do tempo e a eles responder, prestando ouvido à necessidades da Igreja e do homem – daquele que busca a pátria celestial e daquele que submetido às chamas purificadoras do amor, no purgatório, está à espera de atos de nobre amor.

História do culto e do processo de beatificação

A fama da santidade de vida do Pe. Estanislau estava presente já durante a sua vida terrena. Preservaram-se muitos testemunhos que falam da sua fé, esperança e amor heróicos e do seu extraordinário dom de intercessão pelos outros, de maneira especial em favor dos mais necessitados. A memória a respeito do Pe. Papczynski era cuidadosamente preservada não apenas na própria Congregação dos Marianos, mas também nos corações de muitos fiéis na Igreja da Polônia. Após a sua morte, muitas pessoas vinham ao seu túmulo para rezar e pedir a sua intercessão junto a Deus. No entanto nos primeiros cinqüenta anos os marianos não tomaram providências formais pela sua beatificação, o que foi motivado por muitas circunstâncias desfavoráveis, inclusive pelas dificuldades decorrentes da “dispersão de Rostkow”. Foram somente os zelosos empenhos do Servo de Deus Casimiro Wyszynski e a sua convicção a respeito da santidade do Padre Fundador que fizeram com que fossem tomadas iniciativas mais intensas relacionadas com o início do processo. Estimulado pelas cartas do Padre Casimiro, o superior geral Caetano Wetycki ordenou que fossem reunidos testemunhos a respeito da santidade de vida do Pe. Papczynski e a respeito dos milagres que ocorreram por sua intercessão. Ele estimulou a todos a que empreendessem esse esforço por amor à Congregação e ao Fundador. Uma resolução do capítulo geral de Rasna, do dia 18 de agosto de 1757, ordenava que fosse protegido o corpo do Fundador e que fossem preservadas no Arquivo as descrições da sua vida e das graças alcançadas pela sua intercessão. Além disso, alguns bispos, nobres e magnatas enviaram a Roma uma petição solicitando a beatificação do Pe. Papczynski. Com base numa resolução especial, um pedido semelhante foi também apresentado pelo Parlamento da Polônia, reunido por ocasião da coroação do rei Estanislau Poniatowski, no dia 9 de dezembro de 1764. No dia 1 de janeiro de 1767 Luís Zapalkowicz foi nomeado postulador geral. Nessa ocasião, foi realizado o reconhecimento dos restos mortais do Pe. Papczynski, que se encontravam no tumulo debaixo do soalho da igreja da Santa Ceia em Góra Kalwaria e depositados num sarcófago que se preserva até hoje. No dia 10 de junho de 1767, na Capela de Santo Antônio da igreja dos Franciscanos Reformados, em Varsóvia, foi instaurado o tão longamente esperado Processo informativo, que se estendeu até o dia 4 de outubro 1769. Após a sua conclusão, os Autos foram enviados à Congregação dos Santos em Roma. Ali, a pedido do postulador geral, no dia 13 de junho de 1771, foi concedida pela Santa Sé a dispensa da costumeira espera de dez anos a partir da apresentação do processo probatório na diocese à Santa Sé. Em 1772 foram apresentadas à Santa Sé 19 cartas postulatórias, enfatizando que o Pe. Estanislau havia praticado as virtudes em nível heróico e que após a morte gozava de fama de santidade. Após o envio de todos os escritos do Fundador à Santa Sé, no dia 22 de julho de 1772 a Congregação dos Santos expediu o decreto super scriptis, atestando que nos escritos do Pe. Papczynski não havia nada em desacordo com a fé e a moral.

O processo de informação favoravelmente iniciado foi interrompido em 1775, visto que durante as etapas anteriores não houvera a preocupação de reunir provas que demonstrassem a gratuidade das acusações apresentadas pelo promotor da fé. Por sua vez os acontecimentos bélicos, que levaram os marianos a abandonar a Procuradoria Geral agregada à igreja de S. Vito, em Roma (1798), bem como as partilhas da Polônia no final do século XVIII levaram à interrupção do processo e à transferência dos autos ao Arquivo Vaticano.

No entanto a interrupção do processo de beatificação não provocou o desaparecimento da memória a respeito da santidade do Fundador nem a respeito do seu significado na história da Polônia. Em Góra Kalwaria, junto ao túmulo do Pe. Estanislau, continuou a ser comemorado solenemente o aniversário do seu nascimento (18 de maio) e da sua morte (17 de setembro). Muitos autores aludiam à figura do Pe. Papczynski apontando a sua autoridade religiosa e moral, e os fiéis experimentavam a sua milagrosa intercessão. Um guardião muito dedicado do túmulo foi o Pe. Bernardo Pielasinski.

Logo após a renovação da nossa comunidade religiosa em 1909, os coirmãos lituanos foram os primeiros a tomar sérias providências visando ao fortalecimento da identidade mariana e lançaram mão do patrimônio do Fundador e dos primeiros marianos. Uma expressão disso foram as atividades de muitas pessoas, como as do superior geral Dom Francisco Bucys, bem como as publicações dos padres João Totoraitis, José Vaisnora e Jorge Navikevicius Com o tempo foram iniciados os trabalhos preparatórios para a continuação do processo de beatificação do Pe. Papczynski. Como resultado disso, numa reunião do Conselho Geral em Roma, realizada no dia 15 de novembro de 1952, o Pe. Casimiro Reklaitis MIC foi escolhido para postulador geral. No dia 17 de novembro de 1953 a Seção Histórica da Congregação dos Santos reiniciou o processo de beatificação do nosso Fundador. Por sua vez a Comissão Histórica, instituída pelo ordinário de Varsóvia, cardeal Estêvão Wyszynski, reuniu os necessários documentos que confirmavam a continuidade da fama de santidade do Pe. Estanislau. Essa Comissão recomendou que fosse redigida a Positio super introductione Causae. Esse trabalho foi confiado ao Pe. Casimiro Krzyzanowski, que, com a ajuda de outros coirmãos, de maneira especial do Pe. João Bukowicz, realizou-o com zelo e honestidade. O valor da Posição foi reconhecido positivamente no dia 23 de novembro de 1977. No entanto foram apresentadas algumas dificuldades, que exigiam novos esclarecimentos. Estes foram preparados de forma muito competente pelos padres Casimiro Kzyzanowski e Venceslau Makos. O coroamento desses trabalhos foi o decreto da Congregação dos Santos, aprovado por João Paulo II no dia 13 de junho de 1992, confirmando que o Pe. Estanislau praticou as virtudes em nível heróico.

Algumas províncias deram início a muitos trabalhos científicos e de popularização relacionados com a pessoa e a espiritualidade do Fundador. Nesse sentido merecem uma menção especial os esforços dos padres Casimiro Krzyzanowski, Estanislau Kurlandzki, Tadeu Rogalewski e Venceslau Makos. Na expectativa da beatificação, a Congregação deu início também a intensas orações pedindo o necessário milagre. Deus, em Sua misericórdia, respondeu aos nossos pedidos. Em 2001, isto é, exatamente no terceiro centenário da morte do Pe. Papczynski, na área de uma das dioceses na Polônia ocorreu um acontecimento inexplicável à luz da ciência. Em conseqüência da invocada intercessão do nosso Fundador, uma jovem mãe, na qual, após 7-8 semanas de gravidez, de forma documentada e certa havia sido constatada a morte do feto, inesperadamente recuperou a criança não nascida, que sem quaisquer conseqüências negativas nasceu com saúde e plenitude de forças no dia 17 de outubro de 2001.

Graças aos empenhos e esforços do Pe. Provincial André Pakula e do Pe. Venceslau Makos (Vice-postolador) e também do Pe. Dario Mazewski (Secretário provincial), o processo foi conduzido de forma competente na etapa diocesana. Depois disso o postulador geral, Pe. Adalberto Skóra, apresentou-o à Congregação dos Santos, a qual, após a realização de todos os procedimentos previstos para a sua continuação, confirmou a veracidade do milagre. No dia 16 de novembro de 2006 o Santo Padre Bento XVI ordenou que fosse promulgado o decreto que reconhecia o fato apresentado como um milagre realizado pela intercessão do Pe. Estanislau, possibilitando com isso a beatificação.

Neste ponto eu gostaria de expressar os agradecimentos mais cordiais a todos que de maneira especial participaram da história do processo e dos preparativos para a beatificação; às pessoas por mim aqui já mencionadas, bem como às que permanecem à sombra dos outros; aos vivos, bem como àqueles que o Senhor já chamou a si.

Preparativos para a beatificação

Não tenho dúvida de que o fato da beatificação do Pe. Estanislau, que ocorre nos tempos atuais, relaciona-se com algum mistério especial da Divina Providência e da Divina misericórdia diante da nossa geração. Temos consciência de que por sua natureza a graça é gratuita. Em relação a ela, a pessoa é livre, podendo aceitá-la ou rejeitá-la. Dessa forma, também a graça da beatificação pode animar a nossa vocação, renovar o carisma, estimular à busca de uma nova interpretação ou atualização dele, mas pode também passar de forma imperceptível, sem ser aceita na prática da vida na fé e no amor de Cristo e da Igreja. Por isso mais uma vez estimulo a cada um dos Coirmãos e cada uma das comunidades a que empreendam um esforço de renovação da vocação mariana, no âmbito dos preparativos para a beatificação, através da vivência da própria solenidade e de uma ação de graças por ela que se polongue no tempo. Iniciamos os preparativos diretos para a beatificação no dia 1 de janeiro, de acordo com o programa preparado pelo Pe. André Pakula e pela Comissão de Beatificação e publicado no livro intitulado Para não permanecerdes inativos na vinha do Senhor. Lembro de maneira especial os dias de recolhimento, a leitura diária de breves trechos extraídos dos escritos do Fundador e a leitura pessoal dos textos apresentados no livro.

Que a graça da beatificação desperte em nós uma nova energia na vida espiritual e no ministério por Cristo e pela Igreja. Fica a ser decidida a definição do donativo de ação de graças que a Congregação oferecerá a Deus e à Igreja por ocasião da beatificação do nosso Fundador. Quando o Servo de Deus Casimiro Wyszynski deu início aos empenhos pela beatificação, reconheceu ao mesmo tempo que havia chegado o tempo da bênção divina. Esse foi o seu impulso interior, que o estimulou a viajar a Portugal para dar início a uma nova fundação. E ainda antes ele havia ampliado essa pequenina Congregação fundando novos conventos nos territórios da atual Lituânia, Bielo-Rússia, Ucrânia e Polônia. É preciso que à sua maneira prestemos ouvido ao que hoje nos fala o Espírito Santo e obedeçamos à Sua voz. Talvez, nesse sentido, seja preciso olhar para a perspectiva que há algum tempo se esboça de novas fundações na Ásia, na Índia e nas Filipinas.

A preparação para a beatificação também diz respeito a questões relacionadas com a organização da solenidade da beatificação e a vinda de marianos e de fiéis do mundo inteiro para essa solenidade. Quero agradecer ao Padre Provincial Paulo Naumowicz e à Província da Divina Providência por terem assumido o papel de organizadores da solenidade. O Padre Provincial enviará a todos os marianos as informações relacionadas à organização da estada deles na Polônia, bem como o programa da peregrinação “Seguindo os passos do Padre Estanislau Papczynski e de João Paulo II”. A Associação dos Auxiliares Marianos de Varsóvia está pronta a ajudar na organização da estada na Polônia de grupos de pessoas leigas do exterior que queiram vir para a beatificação.

Será também dedicado aos preparativos para a beatificação o encontro dos superiores das províncias e dos vicariatos que se realizará em Roma nos dias 8-10 de março deste ano.

Algumas inspirações para a nossa vida

Para finalizar, gostaria de lembrar alguma posturas características do Pe. Estanislau que no contexto dos preparativos para a beatificação e da atual situação da Congregação parecem ser atuais e importantes:

1. A diligente fidelidade à oração, baseada principalmente na meditação da palavra de Deus, que conduz a uma disposição ativa ao ser humano. Com quanta freqüência, nos testemunhos a respeito do Padre Fundador, repetem-se as descrições da sua concentração na prece. Era da oração que ele hauria a inspiração para o seu ministério na Igreja; nela encontrava a força para ser fiel a Cristo, ainda que isso significasse opor-se a muitas pessoas; nela reconhecia as tarefas da comunidade que fundara; durante a oração Deus lhe revelava aos poucos a Sua vontade. Tudo isso nos lembra o primado da vida espiritual, na qual se inspira a autêntica evangelização. Tal postura do Fundador resultou na fundação de uma nova comunidade religiosa. Deus pôde servir-se de uma pessoa que O buscava e ouvia. Temos necessidade hoje de uma volta ao primado da graça e das causas divinas, das quais brota uma apropriada abordagem das causas humanas e eclesiásticas. O caminho contrário nos traz a ameaça de uma ideologização da vida em que o Evangelho se transforma numa propaganda anunciada aos outros e numa fonte de lucro e de carreirismo em que os religiosos se tornam um antitestemunho e um escândalo para os fiéis.

2. A submissão ao Espírito Santo e a interpretação à Sua luz dos sinais do tempo, isto é, das mais profundas necessidades da Igreja e da sociedade. É justamente de uma tal postura do Pe. Estanislau que brota a sua fascinação com o mistério da Imaculada Conceição e o objetivo primordial da sua comunidade: a difusão do culto da Imaculada Conceição como sinal de salvação e de uma nova vida em Cristo, concedido com abundância ao homem e acessível a nós nos sacramentos, especialmente do batismo, da penitência e da Eucaristia. Do ouvido atento ao que lhe dizia o Espírito Santo em sua alma surgiu o estímulo, chamado por ele próprio de nobre amor, isto é, a ajuda aos pobres dentre os pobres, àqueles que não podem ajudar a si mesmos, bem como às almas que sofrem no purgatório. Da sensibilidade do Pe. Papczynski à voz desse mesmo Espírito Divino, presente e atuante na Igreja, provém todo o seu ministério em prol da Igreja, inclusive naqueles lugares que reconheceu como pobres, desprovidos do devido zelo pastoral: a ajuda aos párocos. Graças a isso descobrimos igualmente o mistério da sua sensibilidade pessoal às necessidades dos diversos pobres, necessitados da palavra da Boa Nova e de apoio material. É justamente nisso que reside a fonte da sua “atração” espiritual, que fazia com que muitos dos seus contemporâneos – mas também pessoas dos nossos tempos – viessem e venham a ele em busca de ajuda, compreensão, palavras de bondade e de intercessão junto a Deus.

3. O amor à comunidade religiosa que Deus confiou ao Pe. Papczynski e com que uniu sua vida. O Padre Estanislau era capaz de amar com um amor autêntico e evangélico os coirmãos menos e mais aptos à vida religiosa, de passar por cima das fraquezas e até dos pecados humanos, consciente de que ele mesmo era um pecador. Ele perdoava as injustiças sofridas, não guardava mágoas em seu coração. Tendo a consciência da própria pecaminosidade, não se escandalizava com a fraqueza dos outros e pelo poder da graça divina, que hauria da fé, tratava a todos com amor. Não era sem razão e nem para se exibir que muitas vezes assinava as suas cartas ou confissões com as palavras Estanislau – o pecador ou Estanislau – o indigno. Em todos os seres humanos era capaz de perceber pessoas, não apenas aquelas que Deus colocava no caminho de sua vida, mas também aquelas que lhe eram apresentadas como irmãos na fé, juntamente com os quais partilhou tudo: os momentos de glória, mas também de derrotas, fraquezas e pecados. Omnia apud vos in charitate fiant era uma das recomendações básicas por ele lembradas de diversas formas nas correspondências dirigidas aos coirmãos. Em nome do amor o Padre Fundador sabia também admoestar severamente aqueles que eram infiéis. Como temos necessidade hoje de um humilde amor ao coirmão, da capacidade da admoestação mútua, do perdão e da aceitação mútua!

Conclusão

A nossa veneração aos beatos e santos diz respeito em última análise ao próprio Cristo, cuja santidade manifesta-se na vida das pessoas. Vivenciemos a esperada beatificação na fé, como um testemunho da presença e da ação do Jesus Cristo vivo e como um apelo a trilharmos sempre de novo o caminho da nossa entrega a Ele. Temos o direito de nos alegrarmos com o dom da beatificação do nosso Fundador, mas evitemos nisso qualquer tipo de triunfalismo, que é alheio ao espírito do Evangelho. A beatificação não serve para conferir honra à nossa Congregação, não deve servir à nossa auto-satisfação. É um dom da graça divina que deve ser aceito com gratidão, de tal forma que possa produzir em nós o fruto da nossa conversão, da morte do pecado e do comodismo, contribuindo assim para o nosso crescimento na fé e na vocação. O dom da vocação será proveitoso se permitirmos que o mesmo poder da santidade de Cristo que podemos ver na vida do nosso Fundador se manifeste também em nossa vida e faça de nós fiéis testemunhas de Cristo e de Evangelho no mundo de hoje.

Com a minha paternal saudação e bênção.

Pe. Jan M. Rokosz MIC
Superior Geral